Dados da Sejusp revelam escalada da violência no estado em 2025; endurecimento da Lei Sansão e maior conscientização impulsionam denúncias e prisões.
BELO HORIZONTE – O cenário da proteção animal em Minas Gerais acende um alerta vermelho. Dados recentes da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que a violência contra animais segue em ritmo acelerado. Apenas em 2025, o estado contabilizou 6.743 ocorrências, um salto drástico de 48% em comparação aos 4.535 registros de 2024.
Na prática, as estatísticas traduzem uma realidade cruel: cerca de 18 animais são vítimas de violência diariamente em território mineiro. O balanço confirma uma tendência de alta observada desde 2021, interrompida brevemente por uma leve queda em 2022.
O “Efeito Orelha” e a Mobilização Nacional
A comoção em torno da causa animal ganhou contornos nacionais após a morte brutal do cão comunitário Orelha, espancado em janeiro deste ano na Praia Brava (SC). O episódio tornou-se um símbolo da luta por justiça, pressionando autoridades por uma fiscalização mais rigorosa e punições severas para agressores em todo o país.
Fim da Impunidade: Prisões em Alta
O aumento da criminalidade tem sido acompanhado por uma resposta mais enérgica do Estado. Em 2024, 418 pessoas foram presas por maus-tratos em Minas, um crescimento de 17,42% em relação ao ano anterior.
Para o deputado federal Fred Costa, autor da Lei Sansão, os números indicam que o cerco está fechando.
“Os dados refletem o fim da sensação de impunidade. Com a legislação atual, a pena de reclusão varia de 2 a 5 anos, garantindo que o crime não seja mais tratado como de menor potencial ofensivo”, destaca o parlamentar.
O Papel da População
O delegado Pedro Ribeiro, da Divisão Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), pondera que o aumento nas estatísticas também se deve ao olhar mais atento da sociedade.
“As pessoas estão mais informadas e menos tolerantes. O que antes passava despercebido, hoje vira denúncia”, afirma Ribeiro.
Saiba como denunciar
A Polícia Civil reforça a importância de verificar a veracidade das informações antes de acionar as autoridades para evitar trotes, mas incentiva o uso dos canais oficiais:
- Urgência e Emergência: 190 (Polícia Militar).
- Denúncia Anônima: 181 (Disque Denúncia).
- Presencial: Em qualquer delegacia de Polícia Civil.









